PORSHE 911: O MELHOR E O MAIS POTENTE DE SEMPRE!

Na gama 911, não há nada acima do GT2 RS. A Porsche produziu obra-prima com 700 cv e componentes de competição, incluindo titânio e fibra de carbono. Conduzimos a versão mais potente e rápida na história do modelo produzido desde 1963 nas serras do Algarve e no Circuito de Portimão, ‘montanha-russa’ com 4,692 km e 15 curvas na configuração G.P.

Porsche, registo de antagonismo de sentimentos, com Frankf-Steffen Walliser, n.º 1 da divisão Motorsport triste pelo ponto final na história de muito sucesso na categoria principal (LMP1) do Mundial de Resistência (WEC), após os três títulos consecutivos de construtores e pilotos, sublinhados com vitórias nas 24 Horas de Le Mans, e feliz com os progressos do 911 RSR (GT), antecipando-se o 1.º triunfo a qualquer momento (falhando-o no Bahrain, no encerramento da temporada-2017, consegui-lo-á em 2018, certamente, talvez até em La Sarthe, em França).

Encontrámos o engenheiro alemão de 44 anos no Autódromo Internacional do Algarve (AIA), na estreia do GT2 RS, superdesportivo de elite por contar com muita tecnologia importada da competição. Como cereja no topo do bolo, a performance comercial da marca: nos primeiros nove meses do ano, na comparação com o mesmo período de 2016, crescimento de 4% – ou 185.898 automóveis vendidos nos quatro cantos do Mundo. Um recorde!

Recordista é, também, o GT2 RS, a versão mais potente e rápida na história de 54 anos do 911, o ícone da Porsche, com 700 cv, 2,8 segundos na aceleração 0-100 km/h e 340 km/h de velocidade máxima! É a 4.ª geração da besta… Antecessores: 993 GT2 (1993-1998, 450 cv, 3,9 s e 301 km/h), 996 GT2 (2001-2005, 483 cv, 3,7 s, 319 km/h) e 991 GT2 (530 cv, 3,9 s, 328 km/h).

Atualmente, no catálogo do Porsche, também com tração traseira, há o GT3 (205.024 €), com motor atmosférico de 6 cilindros e 4 litros: os 500 cv permitem 318 km/h e 0-100 km/h em 3,4 s! Entre os Turbo com quatro rodas motrizes, o melhor é o S Exclusive Series (297.875 €), com 607 cv, 330 km/h e 0-100 km/h em 2,9 s. O GT2 RS posiciona- se acima, numa categoria à parte.

A Porsche supera-se cada vez que trabalha no desenvolvimento de versão do 911 e, por isso, sem surpresa, não há nada igual, nem sequer parecido com este GT2 RS, carro a meio caminho entre máquina de competição e superdesportivo apto para a condução no quotidiano. Na geração precedente (997), de 2010, a produção foi limitada a 600 exemplares, exportados, maioritariamente, para os EUA, a Alemanha e o Reino Unido.

Agora, os responsáveis do emblema de Zuffenhausen, Estugarda, garantem disponibilidade para a satisfação de todas as encomendas (em Portugal, até ao momento, venderam- se seis unidades…). Dispondo de dinheiro, invista! Neste segmento de elite, não há automóvel melhor, pelo menos de forma clara. «É o melhor 911 na história da Porsche», diz Frank-Steffen Walliser, entusiasmado. Concordo. O GT3 parece-se na raça, mas o 6 cilindros atmosférico muito rotativo (500 cv às 8250 rpm e 460 Nm às 6250 rpm) não tem a capacidade de explosão, nem as performances do GT2 RS com 6 cilindros biturbo de 700 cv e 750 Nm. Simplificando: apenas 318 km/h e 3,4 s de 0 a 100 km/h no 1.º, contra 340 km/h e 2,8 s no 2.º.

A série de oito voltas ao Autódromo Internacional do Algarve, na configuração de G.P., com 4,692 km de extensão e 15 curvas originou sensações dificílimas de descrever. Sei apenas que as pernas pararam de tremer muitos minutos depois da passagem pela montanha russa algarvia, pois o GT2 RS excede tudo o que promete visualmente, vide entradas de ar sobredimensionadas na dianteira e atrás das portas, o spoiler larguíssimo à frente e a asa traseira fixa com formato XXL (podemos regulá-la com o automóvel parado).

No 911 GT2 RS, forma ao lado da função, não existindo elemento na carroçaria sem influência positiva no funcionamento dos órgãos principais do automóvel e do comportamento. Obra prima da engenharia, este Porsche aproxima-se da perfeição no que respeita à aerodinâmica: na configuração de estrada, 312 kg de forças descendentes (105 kg à frente, 207 atrás) agarram o GT ao asfalto, garantindo-lhe manuseamento fora de série.

Em pista, após mini-intervenção técnica, máximo de 416 kg (145 e 271 kg, respetivamente). Opcionalmente, carro com menos 30 kg, com 1440 kg em vez de 1470. O pacote Weissach estreado pela marca no 918 Spyder (2013-2015) inclui diversos componentes em fibra de carbono reforçada com plástico, magnésio e titânio (carroçaria e chassis) e elimina muitos elementos supérfluos, como o info-entretenimento ou o ar condicionado!

Pela primeira vez na Porsche, 911 para a estrada apresenta-se com pontos de ancoragem do chassis à carroçaria derivados dos carros de corrida, solução que otimiza a rigidez. Os apoios do motor são dinâmicos e adaptam-se à condução, o que estabiliza notavelmente o comportamento da direção (nas transferências de carga a alta velocidade, como as que experimentámos no AIA, esta função otimiza estabilidade, tração e capacidade de aceleração).

Somem-se as molas mais firmes nas quatro rodas e o sistema de travagem com discos carbocerâmicos (PCCB), que impressiona pela potência, resistência à fadiga e leveza. O GT2 RS tem muitos recursos habituais nos desportivos da marca do consórcio VW, incluindo nos SUV, como o amortecimento variável (PASM), as rodas traseiras direcionais e o diferencial ativo (PTV) que gere a repartição do binário no eixo posterior e funciona em sintonia com o controlo de estabilidade. O programa pode desativar-se, mas esta ação muda as características do automóvel de forma radical, principalmente acelerando- se. Nessa situação, condutor normal não dispõe de talento suficiente para dominar a besta com rodas fabricadas em magnésio e pneus de elevada performance (265/35 ZR20 no eixo dianteiro, 325/30 ZR21 no traseiro), que proporcionam motricidade incrível e suportes laterais formidáveis, que esticam os limites da aderência.

Descendente das versões GT2 das gerações 997 (450 cv), 996 (483 cv) e 993 (530 cv) do 911 e RS na história da série (o 1.º surgiu em 2007), a nova versão de topo do modelo mais carismático da Porsche conta com variante do motor de 6 cilindros boxer e 3,8 litros introduzido no catálogo em 2009. A mecânica com injeção direta e sobrealimentação biturbo gera 540 cv no Turbo, 580 cv no Turbo S, 607 cv no Turbo S Exclusive Series e 700 cv no GT2 RS.

Pela primeira vez no modelo, caixa PDK de 7 velocidades, de embraiagem dupla. Este sistema tem dois programas de atuação: automático ou manual, o segundo operado sequencialmente em patilhas no volante, à carro de corrida. As passagens processam-se com rapidez e suavidade. O modo PDK acelera o processo nas acelerações e nas reduções, emprestando ainda mais excitação à condução… Adicionalmente, função Paddle Neutral liberta as embraiagens e interrompe a entrega de potência, puxando as patilhas na nossa direção, em simultâneo. E, assim, neutraliza-se movimento de subviragem ou, pelo contrário, desequilibra-se a traseira. O sistema autoriza-nos ainda a arrancar como nos automóveis com caixas manuais. Sem Super Licença da FIA, moderação!

Nas estradas da Serra de Monchique, na região oeste do Algarve, o 911 GT2 RS também impressionou. Naturalmente, o Porsche digere mal as irregularidades no piso. Portanto, aconselha-se a seleção da configuração normal da suspensão e a desativação do sistema que amplifica a sonoridade do escape (a imagem do carro é suficientemente exuberante…). Aqui, hardware e software trabalham bem coordenados, tornando-se fácil conduzir carro com tração traseira e 700 cv de forma precisa, segura e velocíssima.

Que direção, que travões, que motor, que caixa! O 911 GT2 RS acelera de 0 a 200 km/h em 8,3 s. O cérebro necessita de tempo para adaptar-se aos sinais que recebe do corpo, nomeadamente dos olhos.

O GT2 RS, no mercado nacional, custa 336.805 €. Por menos dinheiro, pode- -se comprar Turbo com 540 cv (0-100 km/h em 3 s, 212.021 €) e Panamera Turbo S E-Hybrid de 680 cv (0 100 km/h em 3,4 s, 197.934 €), mas nenhum destes automóveis consegue aproximar-se dos 6,47,3 m com que o Porsche completou volta ao Nürburgring-Nordschleife, melhorando o recorde para desportivos de série.

Engenheiro português no desenvolvimento do motor

Marcos Marques representou a equipa de engenheiros que trabalhou no desenvolvimento da variante mais potente do motor de 6 cilindros e 3,8 litros estreado pela Porsche em 2009, na geração-997 do desportivo que a marca alemã produz ininterruptamente desde 1963.

Engenheiro português no desenvolvimento do motor

Marcos Marques é engenheiro na Porsche desde 2012

Descendente de emigrantes portugueses, o engenheiro de 44 anos não escondeu a felicidade pela hipótese de falar a nossa língua, no nosso País. «A base é o motor do Turbo. Para aumentarmos o rendimento do motor de 6 cilindros boxer com 3,8 litros, conservámos a injeção direta e a sobrealimentação, sistema com dois turbocompressores de geometria variável, mas adotámos turbinas de muito maiores dimensões, aumentámos a pressão máxima para 1,5 bar, reduzimos a taxa de compressão e instalámos intercoolers que permitem à mecânica respirar melhor, condição para atingirmos os 700 cv».

Funcionário da Porsche desde 2012, Marques confirmou que também existem mudanças no interior do motor, incluindo a adoção de pistões novos, mas destacou as mudanças na admissão e no escape. Para o segundo sistema, os alemães recorreram a componente fabricado em titânio, material que permitiu diminuição substancial no peso (menos 7 kg). A peça montada no 911 GT2 RS, exposta numa boxe do AIA, pesa tão-somente 3 kg.

Fonte: A Bola Portugal

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