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O fundo da prancha

Edinho Leite apresenta os diferentes conceitos de fundo de prancha de maneira simples e didática.

 

O fundo de uma prancha é um dos fatores que mais influencia na maneira que ela vai andar em cada tipo de onda e por isso é muito importante conhecer as diferentes possibilidades. Na evolução do shape através dos anos, vários tipos foram desenvolvidos: single concave, double concave, flat, V bottom, etc.

A coisa fica um pouco mais complicada de entender quando descobrimos que esses tipos de fundo ainda podem ser mixados em uma mesma prancha.

Por isso, no novo episódio de Quiver Mágico, Edinho Leite apresenta estes conceitos de maneira simples e didática, explicando como as variações no fundo da prancha afetam a velocidade, controle, troca de bordas, lift e manobrabilidade.

Fonte: Waves

Surfe: Novos horizontes

Surfe moderno abre novas fronteiras para as fábricas de pranchas.

Está claro que os shapers nunca tiveram tantas encomendas de pranchas para tantos tipos de ondas e maneiras de surfar diferentes. Isso é muito bom para manter e desenvolver a indústria da qual sempre e tanto dependemos.

Há um tempo o SUP deu um levante nas fábricas com uma inundação de pedidos. O melhor dessa conta é que esse tipo de prancha, mais caras do que uma pranchinha, salvou a saúde de muitos fabricantes num momento esquisito da economia. Ok, a economia continua esquisita. Mas a verdade é que a diversidade de pranchas usadas em nossas ondas injetou combustível nas fábricas de pranchas e equipamentos.

Além da diversidade de pranchas para ondas do dia a dia, surgiu um mercado crescente de pranchas para ondas grandes e imensas. Sim, sempre houve, mas agora está bombando mais do que nunca. Uma nova classe de big riders está ajudando o mercado a desenvolver pranchas grandes cada vez melhores. Repito, sei que sempre houve gente dropando ondas grandes, mas depois que o tow-in ajudou a atingir outro patamar, o surfe em ondas grandes se tonou um clube maior. O crowd das últimas ondulações que quebraram no Cardoso, Waimea ou Jaws mostrou bem isso.

Não sei se a equação fecha desse jeito, mas o certo seria que essas pranchas de ondas grandes ou gigantes tivessem um preço proporcional não só ao material usado nelas, e sim pela responsabilidade do shaper ao criar esses veículos. Poder confiar em seu equipamento em ondas de responsa é essencial. Pergunte para qualquer big rider minimamente sério.

No embalo das mudanças, há um novo universo se abrindo. Foilboard. Claro que as “quilhas” dessas pranchas podem nem passar pela indústria das pranchas de surfe, mas as pranchas, em boa parte, sim. Elas têm quase a mesma lógica comercial das pranchas de kitesurf. Parecem normais, mas nem sempre são. Por isso, podem custar mais caro.

Onde isso tudo vai dar? Não sei exatamente, mas espero que a indústria das pranchas e equipamentos continue crescendo e se desenvolvendo, para felicidade geral do nosso universo surfe.

Fonte: Waves

Os limites da litragem

Edinho Leite explica a sinuca de bico que envolve a litragem e a busca pela prancha ideal.

Shane Dorian confia em John Carper. A litragem final de cada prancha é apenas o resultado de medidas básicas e acertos realizados pelo shaper dentro de um design com intenções específicas.

O apego aos números pode não ser bom quando você quer uma prancha que funcione.
Outro dia, ouvi a conversa de um fabricante com um dos shapers que trabalha com ele e fiquei com a pulga atrás da orelha. Um cliente havia pedido um modelo de prancha X com medidas especificadas por ele.

O problema é que havia mais um detalhe. O cliente queria aquelas medidas com um volume, em litros, que ele achava adequado. Isso tudo poderia até funcionar, não fosse o fato de que, dentro daquele modelo, com aquelas medidas, o tal volume não caberia. Sinuca de bico.

Já conversei sobre isso com vários shapers e eles confessam que essa história de litragem acabou criando situações complicadas. O cara pede uma prancha, define as medidas e quer que caiba a litragem que ele acha correta. Algumas modificações podem conferir a um modelo uma variação de volume sem alterar o modelo em si, mas isso tem seus limites. Por isso você deve confiar no seu shaper e deixar alguns detalhes a cargo dele.

Pegar uma prancha na mão pode ser mais importante do que checar seus números.

Imagine que você tem uma bexiga, um balão, cheio de água, e quer que ele mantenha aquela mesma forma, só que com mais água dentro. Não é possível, da mesma maneira que não dá para colocar mais volume, criado pelo poliuretano ou EPS que vai dentro da prancha, sem alterar as medidas da prancha ou sua forma final.

Ok, até dá. Só que aquele modelo X não terá mais as mesmas características. Você teria que alterar o foil, largura de bico e rabeta, etc. Ou seja, na hora de encomendar uma prancha, não se apegue tanto a números. Eles ajudam, mas nem sempre definem o que pode ser uma prancha melhor para você e suas intenções.

Claro, para cada tipo de prancha e surfista existem limites. Você não quer uma prancha que não te sustente ou fique fora de controle por ter muito volume para você. Por isso é sempre bom procurar um shaper, ou alguém que te ajude na loja, em quem você possa confiar. Eles saberão a equação mais certa para você. Acredite, uma prancha funciona muito além dos números.

Pranchas diferentes para diferentes intenções. As duas parecem funcionar bem nos pés do Torren Martyn, mas você acha que elas têm o mesmo volume?

The Board Trader Show – Evento consolidado

Segunda edição da The Board Trader Show prova que o mercado dos esportes de prancha continua crescendo.

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Esse é, sem dúvida, o maior encontro do surfe no Brasil. Mesmo diante de um cenário economicamente complexo, para não dizer triste, a The Board Trader Show reuniu mais de uma centena de marcas dispostas a mostrar a um público específico suas ideias, projetos e produtos. Mais uma vez foi um sucesso.

Sim, as fábricas de pranchas, protagonistas principais dessa feira, não estão produzindo com sua total capacidade por conta da pindaíba em que se encontra o país. Lógico que todo mercado periférico vai de carona nessa marola mexida.

Mas o que vale constatar é que, quem foi à TBTS ou acompanha o Waves, pode ver que grandes fornecedores como a Maxepoxi, Texiglass e Teccel continuam investindo nesse mercado e desenvolvendo novos produtos. Paralelamente, também pudemos ver concorrentes de qualidade surgindo e competindo por uma fatia do bolo que acreditam que crescerá cada vez mais.

O tal bolo cresce mesmo, acredite. Não mais por conta de algum tipo de moda que se vende fora d’água, pelo contrário, seu fermento agora é o verdadeiro consumidor final do surfe, em seu mais puro sentido. Pude constatar isso na positiva diversidade de ideias e produtos que vi na TBTS 2017.

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Pranchas para todos os gostos e tipos de surfe. Foto: Levy Paiva.

As pranchas, por exemplo. Havia uma infinidade de modelos, tipos de construção e acabamento para todos os gostos, inclusive os mais específicos. EPS e fibras de carbono e/ou compostas fazem parte do cardápio.

As pranchas tipo retrô mostraram-se uma tendência exposta por boa parte das marcas presentes na feira, com destaque para as biquilhas fish. Isso mostra que o consumidor de surfe atual enxerga outras possibilidades dentro do esporte, outro tipo de prancha para outro tipo de diversão. Isso é ótimo.

A diversidade de categorias. Além de pranchas de alta performance para todos os níveis de surfistas e surfe, vale destacar os longboards, clássicos, híbridos, performance, minis contando com uma oferta de quilhas que eu nunca vi antes.

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Guga Arruda com uma foilboard: um novo horizonte para o mercado. Foto: Levy Paiva.

O SUP não estava tão em evidência como em 2016, mas parece ter encontrado seu ponto de equilíbrio no mercado. Por outro lado, os foils me parecem um grande upgrade para o SUP, assim como foram para o kite.

Na verdade até pranchas normais, onde você rema deitado para depois ficar de pé, já contam com foils. Essas asas estão criando um novo horizonte para o esporte e seu mercado.

Equipamentos e acessórios. Quem diria que coletes de flutuação criados no Brasil se tornariam produto de exportação e com ótima saída no mercado interno? Pois é, a NOB, para citar um exemplo contundente, é prova de que nossos equipamentos são tão bons quanto, e muitas vezes melhores, do que o dos gringos.

Mas, além deles havia um incrível leque de roupas de borracha, leashes, antiderrapantes, capas de pranchas (térmicas), algumas das melhores parafinas do mundo, kits de conserto, óculos específicos para esportes, racks. Tenho que escrever outro post sobre os destaques que não couberam no The Best in Show!

O público. Se a pessoa que estava lá, não foram poucas, ainda não pratica um esporte de prancha, estava a fim de começar ou estava realmente forma interessada no assunto.

A curiosidade e afinidade com todo aquele ambiente e seus personagens é algo que não existia há décadas. Isso deixou claro que hoje há um público realmente conectado com os esportes de pranchas e não apenas em refletir sua imagem. Foi muito legal ver o respeito e admiração de fãs de todas as idades diante de alguns de seus ídolos presentes na TBTS.

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Fila para pegar um autógrafo de Adriano de Souza: feira aproxima o público dos ídolos. Foto: Tom Dib.

Filas para pegar um autógrafo do Adriano de Souza, Lucas Chumbinho ou Diego Silva, só para citar alguns destaques me fizeram sentir orgulho do surfe tupiniquim. O shapers puderam dar seu show, no Harley-Davidson apresenta Shapers Show e Master of Shape diante do olhar atento de quem os reverencia ou queria conhecê-los ao vivo.

Para fechar. Você acha que essa turma, composta por shapers que atuam no Brasil e fora, assim como os renomados e internacionais Johnny Cabianca, Eric Arakawa e Tim Patterson se arriscaria num evento que não fosse realmente importante, num país realmente relevante para o nome deles?

Pois é, nosso mercado mostrou que merece e precisa de um evento como esse, no mínimo, uma vez por ano.

Fonte: Waves

Ultimate Flex – Tecnologia na área

Após um longo período de pesquisa e desenvolvimento, a parceria entre Jason Bennett, da Chemistry Surfboards, e o representante no Brasil criou-se a concepção do projeto Ultimate Flex.

O projeto desenvolvido no Brasil surgiu da colaboração entre Jason Bennett, Neco Costa, que representa a marca no Brasil e na América do Sul, e seu amigo Jonas Furlanetto, shaper e fabricante especializado em tecnologias diferenciadas envolvendo Epoxi, EPS, fibras de carbono, entre outros materiais de ponta.

A tecnologia Ultimate Flex proporciona uma prancha extremamente leve, com excelente flexibilidade, desempenho e durabilidade.

Outro grande diferencial do produto é a tonalidade extremamente branca, desenvolvida através de uma resina Epoxi de altíssima qualidade aliada a componentes desenvolvidos em parceria com fornecedores especializados do segmento.

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Concebidas com blocos de EPS de alta densidade, as pranchas podem ser encomendadas com ou sem longarina. Foto: Divulgação.

Concebidas com blocos de EPS de alta densidade, as pranchas podem ser encomendadas com ou sem longarina, e estarão sendo lançadas na The Board Trader Show, a maior feira de Boardsports da America Latina.

A Chemistry Surfboards se mantém em constante evolução na busca para oferecer estilo e inovação para a indústria de prancha de surf em todo o mundo.

Umas das principais referências em originalidade e inovação em shape designs, a Chemistry Surfboards marca do Shaper Jason Bennet de Oceanside, California, desembarca no Brasil e estará em breve nas principais boardshops do País.

Para saber mais, envie mensagem para contato@chemistrysurfboards.com.br.

Quando A TBTS acontecerá em setembro, entre os dias 28 e 30 (quinta a sábado), abrindo suas portas para lojistas e profissionais do setor das 11 às 14 horas, e a todo o público das 14 às 22 horas.

Onde No melhor espaço de exposições de São Paulo, o São Paulo Expo – Exhibition & Convention Center (Rodovia dos Imigrantes, Km 1.5 – SP). Perto do Aeroporto de Congonhas e fora do perímetro do rodízio municipal de carros em São Paulo.

Fonte: Waves

Gamma – A nova prancha de Slater

Kelly Slater apresenta nova prancha com material mais leve

O 11 vezes campeão mundial Kelly Slater lançou recentemente a Gamma, modelo de prancha projetado por ele em parceria com a FireWire.

A fixação do norte-americano pela velocidade e pelas mudanças bruscas de direção moldaram a ideia do design, que Kelly considera ideal para ondas de até 2 metros.

O modelo conta com o novo material Hélio, uma mistura de madeira de balsa e Paulownia, que promete deixar a prancha muito mais leve.

Foram três anos de pesquisa para chegar à combinação que deu origem ao material, já testado por surfistas como Stu Kennedy e Michel Bourez, além de Kelly, claro.

Fonte: Waves

 

The Board Trader Show – Negócios com hora marcada

The Board Trader Show 2017 terá horários exclusivos para lojistas.

Maior encontro do surfe nacional, a The Board Trader Show, em sua segunda edição, terá horários definidos para seus negócios. Segundo Claudio Martins de Andrade, o “Claudjones”, a programação, durante os três dias de evento, em 2017, terá um horário especial.

Das 10 às 14 horas, a TBTS abrirá só para lojistas e outros profissionais do setor. A partir das 14 horas, o público em geral terá acesso à The Board Trader Show, que neste ano terá pranchas, roupas de borracha e equipamentos com preços bem diferenciados.

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Na parte da tarde, toda a atenção dos expositores, como Avelino Bastos, da Tropical Brasil, estará voltada a esclarecer detalhes, curiosidades e fornecer informações sobre pranchas e equipamentos para quem gosta disso tudo. Foto: Divulgação.

Sem misturar as estações

Portanto, entre os dias 28 e 30 de setembro, na parte da manhã, os expositores terão oportunidade de conversar e apresentar seus produtos exclusivamente às pessoas que os negociam com o público final, os lojistas.

A The Board Trader Show tornou-se o ambiente perfeito para que esse importante elo da cadeia de negócios tenha contato direto, num mesmo lugar, com o que há de mais moderno e interessante no universo dos board sports. Em 2016, muitos negócios foram fechados, abrindo novas oportunidades para todos, desde os fornecedores de matéria-prima e fabricantes até os clientes finais.

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Com a mudança de cronograma, toda a programação de eventos paralelos acontecerá depois das 14 horas. O “Masters of Shape”, sucesso em 2016, é um exemplo. Foto: Divulgação.

Já na parte da tarde, o público da The Board Trader Show 2017 poderá conversar com shapers, laminadores, fabricantes, fornecedores e formadores de opinião com muito mais tranquilidade. Ou seja, a atenção dos expositores estará focada de melhor maneira para atender às demandas desses dois importantes componentes do mercado: lojistas e consumidor final.

Muita coisa positiva aconteceu, durante e depois da TBTS, em 2016, na direção de um maior crescimento do mercado. Parcerias surgiram, pranchas e equipamentos ganharam novos distribuidores, além, obviamente, de toda a troca de informação que nos leva a novas formas de negócios, novos materiais, novos tipos de construção e, uma das coisas mais importantes desse evento, a informação e experiência obtidas por um público realmente interessado pelo universo dos board sports.

Falando em negócios, vale lembrar que muitas pranchas de surfe, SUP, skate, kite, tow in, bodyboard, wake e wind, e seus equipamentos (foils, wetsuits, UVs, sportcams, capacetes, coletes, trapézios, capas, decks, remos, parafinas, cordinhas, racks, jets, quilhas, pés de pato e outros) estarão com preços muito especiais para o público.

Fonte: Waves

Aerofish – Quiver pronto para a feira

Aerofish chega à feira deste ano com uma linha bem eclética de pranchas.

As pranchas da Aerofish têm um conceito interessante. São feitas sem preconceito.

A prancha mágica existe, só que ela é mágica para aquele mar e surfista específicos, como diz Gregorio Motta, que criou a marca em 2000. Trocando em miúdos, cada dia tem sua prancha. Várias delas estarão na The Board Trader Show.

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Um dos modelos da linha Fish, da Aerofish, é a Flipper, releitura moderna das biquilhas. Apresenta mais rocker e tem o bico e a rabeta mais estreitos. Segundo a bula, funciona melhor em ondas de meio a 1 metro. Foto: Divulgação.

Seguindo o que sempre colocou para si mesmo, Gregorio desenvolveu uma linha bem eclética de pranchas. Aliás, já está dando uma engordada no estoque, se preparando para a The Board Trader Show 2017. “Não podemos deixar em cima da hora, por isso já estou produzindo as pranchas para o próximo verão e, claro, para participar da TBTS”, declarou o shaper.

Gregorio vem trabalhando bastante com EPS, pranchas com ou sem longarina, essas últimas uma grande tendência para ondas menores. Segundo ele, os blocos de EPS expandido da Teccel criaram uma possibilidade de prancha resistente, com todas as vantagens da resina epóxi, só que com um feeling mais próximo ao do PU, que, aliás, ele continua utilizando em várias de suas criações.

“As pranchas de PU têm aquele lance de atravessar as crespas pelo caminho, enquanto o EPS comum tende a passar por cima delas, dando aquela sensação nem sempre desejada em alguns tipos de ondas”, explica o shaper. “Também há todo o esquema de flexibilidade. É como nas raquetes de tênis, que eram de madeira. Elas foram se transformando. Hoje são construídas com outros materiais que, por ter flexibilidade particular, dão uma resposta muito mais eficiente, fazendo com que as bolas, nos saques dos tenistas, ganhassem 50km a mais de velocidade, por exemplo”, acrescenta Gregorio.

Sim, a flexibilidade, no ponto certo, pode gerar mais velocidade e resposta nas manobras. Por isso, a Aerofish, assim como a maioria dos fabricantes de ponta, tem trabalhado com fibras de carbono integradas em pontos específicos do glass para deixar as pranchas mais rígidas em certas áreas e mais flexíveis em outras.

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Baseada nos longs clássicos dos anos 60 e 70 o modelo Malibu é perfeito para ir para o bico e não sair mais de lá, especialmente em ondas de até 1 metro. Foto: Divulgação.

Desenvolvida em parceria com o atleta profissional Marcos Sifu, a Ufis apresenta um concave profundo, wide point mais recuado, bico levemente estreito e uma curva do rocker na rabeta acentuado. Prancha feita para surfistas de alto nível que realmente tem o pêndulo de peso mais recuado. Foto: Divulgação.

Diversidade divertida – Mas o interessante nas pranchas que a Aerofish levará à The Board Trader Show vai além das especificações técnicas e o acabamento, sempre com um diferencial. Gregorio é um surfista eclético e isso se espelha em seu trabalho. De fishes a modelos de alta performance, passando por boonzers, alaias e longboards, há pranchas para todos os gostos.

Apesar da questão do glass diferenciado no visual e a variedade dos modelos que concedem à Aerofish um ar de prancha alternativa, Gregorio ressalta que quando as ondas pedem e o surfista quer, as pranchas de alta performance da marca fazem sucesso, como atesta um de seus atletas, Pedro Dib.

Com mais de 30 modelos no mercado, a Aerofish deve levar ao menos 10 deles para expor e vender na TBTS. Todos são produzidos num esquema P/M/G/GG, ou seja, há disposição de cada modelo para diferentes necessidades do consumidor. Mas Gregorio tem outras expectativas, além da venda de pranchas na TBTS. “Acredito que é importante para nós e para o mercado fazer parte dessa que é a maior vitrine do surfe no Brasil. Isso cria uma ótima sinergia entre fabricante, fornecedores e, lógico, o público, que tem a possibilidade de ver num mesmo pico boa parte do que há de melhor no mercado”, fecha Gregorio.

A segunda edição da The Board Trader Show acontece entre os dias 28, 29 e 30 de setembro, no São Paulo Expo – Exhibition & Convention Center(SP).

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Desenvolvida em parceria com o atleta profissional Marcos Sifu, a Ufis apresenta um concave profundo, wide point mais recuado, bico levemente estreito e uma curva do rocker na rabeta acentuado. Prancha feita para surfistas de alto nível que realmente tem o pêndulo de peso mais recuado. Foto: Divulgação.

 

Fonte: Waves

O tempo das pranchas – Só Epoxi

Edinho Leite explica os acabamentos de pranchas do EPS/Epóxi e sua durabilidade.

“Há tempos, o PU, mais conhecido como espuma de poliuretano, perdeu o monopólio dentro das fábricas de pranchas. A era do SUP contribuiu para o reaprendizado da turma da laminação (glass) com resina epóxi, já que o EPS, ou ‘isopor’, não aceita a resina convencional, poliéster”. Comecei assim um texto para o Waves, em junho de 2015.

Antes mesmo de escrever o texto, já havia encomendado uma prancha com bloco Lite Surf, EPS da Teccel, e resina epóxi. Na época, conversando com quem entende, chegamos à conclusão de que a maior parte dos problemas que surgem com pranchas laminadas com resina epóxi era justamente o fato de muita gente terminar a laminação com resina poliéster.

Sim, quando você vê uma prancha nova de EPS / Epóxi com acabamento lindo, acredite, provavelmente ela foi terminada com resina poliéster. Isso se deve ao fato de que, por ter propriedades mecânicas diferentes, a resina epóxi dá um trabalho dos infernos para polir. Especialmente quando a umidade do ar está alta, ela também demora muito mais a secar, caso a fábrica não tenha uma estufa apropriada. Daí, a opção de laminar o EPS com epóxi e depois acabar o trabalho, nos banhos finais, com poliéster, parece uma boa saída, indicada por especialistas, inclusive. Dizem que a resina de poliéster acaba vedando melhor e criando uma camada de proteção.

A experiência mostrou o contrário. A resina de poliéster ataca a de epóxi, além do fato de que as duas apresentam elasticidades diferentes, causando trincados (micro) e outros problemas como delaminação, nos casos mais graves. Portanto, a prancha encomendada há dois anos e quatro meses era só com epóxi. O pessoal da fábrica de laminação Olas ficou preocupado com o fato daquela Shine Surfboards ficar com um aspecto opaco, sem polimento algum. Mas saiu como encomendada. EPS, massa fina, depois glass de Epoxi, assim como no acabamento.

Fim das contas – O resultado é que a prancha 5’8″ X 19″ X 2 1/4 > 26,5 litros ficou com 2.5kg. Tinha ótima flexibilidade e performance. Como São Tomé, hoje posso dizer que, depois de muito usada, continua igualzinha e, mesmo com quilhas, parafina e deck, está pesando 2.7kg. Até alguns meses atrás, quase não amassou o deck na altura do peito. Agora cedeu um pouco, mas pode ter sido pela resistência da longarina, muito mais rígida do que o glass, flexível. O interessante é que quase não há marcas de pisada na rabeta. Ou seja, ficou bem resistente e com ótima durabilidade. Por experiência própria, já sabia que o aspecto opaco mudaria com o tempo, e a prancha ficou polida naturalmente. Claro, não é um espelho, mas quem disse que pranchas espelhadas andam mais?

Encomendei outra, só que desta vez sem longarina e sem massa, o que fará com que o bloco de EPS absorva um pouco mais de resina. Trocando a falta de longarina pela resina a mais, acredito que a prancha deva ficar mais flexível, mais resistente e com o mesmo peso. Daqui a dois anos, digo o que aconteceu com ela. Se bem que devo levá-la para a The Board Trader Show, em setembro, assim, quem for, pode pegar na mão.

Fonte: Waves

Ralando a espuma – Por dentro da prancha

Rogério Arenque e Adriano Garcia falam sobre a importância do processo de fabricação de uma prancha e da valorização dos profissionais.

Pranchas de surfe são simples? Nem tanto. Seu propósito é simples, sem delongas, são feitas para trazer diversão e alegria.

A princípio, a prancha deve possuir duas características trabalhando em harmonia: velocidade e manobrabilidade.

Velocidade envolvendo poder de remada e projeção na onda e manobrabilidade envolvendo todas as curvas que se queira executar no decorrer do trajeto. É aí que a coisa começa a complicar e a simplicidade vai por água abaixo.

A grande variedade de designs e materiais oferecidos no mercado de hoje em dia, podem ser uma benção ou uma maldição para o surfista. Verdade seja dita: 90% dos surfistas não fazem idéia de como equalizar essa quantidade enorme de variáveis e diversidade de materiais, ficando completamente à mercê do que lhes é apresentado.

Lidando praticamente com a sorte na maioria das vezes, o surfista pode encontrar um fabricante comprometido com o desempenho e qualidade ou simplesmente cair no conto das inúmeras campanhas de marketing que assolam o mundo das pranchas. Inicialmente, para se ajudar, o surfista deve ter em mente alguns fatores: muitos deles influenciam no comportamento de sua prancha, mas só a combinação desses fatores é que trará o parecer final.

Elementos isolados não representam a característica do conjunto. Mesmo a rabeta, para a qual se atribui muita influência, depende de outros fatores para influenciar de maneira significativa a performance das pranchas.

Pranchas são essencialmente feitas para surfar, ela pode até ficar linda e maravilhosa no canto de sua sala, mas a não ser que seja essa sua intenção, precisa ter conceito e comprometimento na fabricação para funcionar adequadamente.

Pranchas retrô têm conceitos definidos, não basta misturar aleatoriamente características de épocas diferentes, laminando com qualquer pigmentação e chamá-las de “retrô”. É necessário respeitar as características de cada fase para que o surfista possa realmente experimentar o “feeling” de cada época, revivendo a evolução das pranchas e da performance.

O barato sai caro, essa máxima se aplica à qualquer mercado e com as pranchas não poderia ser diferente. Trabalho bom não é barato e trabalho barato não é bom. Matéria prima barata não é boa e matéria prima boa não é barata. Laminadores, lixadores e shapers competentes devem ser valorizados.

Lembre-se que a prancha é feita quase totalmente de forma artesanal e a mão de obra aplicada é de extrema importância. Todo cuidado é pouco nesse campo, seu shaper local pode usar material importado na sua prancha por um preço muito menor que o de uma marca gringa licenciada no Brasil, que muitas vezes tem pouquíssimo comprometimento no aspecto da matéria prima que quase nunca são feitas com o mesmo material com que são fabricadas em seus lugares de origem. Procure saber qual material estará na sua próxima prancha, as diferenças vão muito além da vida útil, na verdade são determinantes também no que se refere ao desempenho.

Portanto, sempre tenham em mente, a habilidade e experiência do seu shaper, o comprometimento dele com sua equipe e a qualidade do material empregado. Esses fatores serão fundamentais para evoluir seu surfe, trazendo mais satisfação para o surfista, em qualquer nível de habilidade.

Texto escrito por Rogério Arenque e Adriano Garcia (Macarrão).

Fonte: Waves