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Novo H160 da Airbus Helicopters representa uma transformação

Fabricante europeu deseja mudar a fabricação e o apoio de seus helicópteros

O novo helicóptero H160 da Airbus Helicopters, um biturbina de médio porte, além de ser uma valiosa adição a abrangente família de asas rotativas, é uma espécie de catalisador da transformação na maneira com que são hoje fabricados e no suporte pós-vendas dessas aeronaves. A Airbus lançou o H160 em 2015 como um substituto modernizado de seus biturbinas AS365 e H155.

Durante muitos anos a Airbus Helicopters (ex-Eurocopter), tinha a imagem de fabricante de excelentes aeronaves, que não foi acompanhada pela qualidade de seus serviços pós-vendas. A mudança deste quesito aconteceu com o novo CEO, Guillaume Faury, que assumuiu a presidência em 2014.

Faury fez mudanças drásticas com relação à disponibilidade de peças e componentes, melhorando os prazos de entrega, adequando seus preços, desenvolvendo um programa consistente de garantia do produto, chamado H Care.

Dois protótipos do H160 se encontram em ensaios de voo recebendo em breve a companhia de uma terceira aeronave. A certificação é esperada para 2019. A aeronave apresenta uma célula toda em material compósito com linhas arrojadas e estilo futurístico diferente de tudo que se encontra no mundo das asas rotativas. O piso da cabine é plano, as janelas são super dimensionadas e o compartimento de carga acolhe até 300 kg. A cabine pode ser configurada para quatro ou oito passageiros ou até 12 passageiros na versão utilitária.

Original: Aero Magazine

Cluster aeronáutico de Évora ganha asas e mostra-se em Lisboa

Considerada “empresa âncora” na região, a Embraer é a terceira maior construtora mundial de aeronaves comerciais, a seguir à europeia Airbus e à norte-americana Boeing.

Decorre, esta quarta e quinta-feira, o Aerospace Meetings Lisboa, onde vai estar representado o Parque de Indústria Aeronáutica de Évora (PIAE).

Considerado o evento “BtoB” mais importante em Portugal, o Aerospace Meetings Lisboa é promovido pela Associação Portuguesa de Indústria Aeronáutica e conta com o município de Évora como um dos parceiros institucionais.

Durante dois dias, a iniciativa vai acolher, no centro de congressos da capital, “representantes de algumas das mais importantes empresas aeronáuticas do mundo”, promovendo a troca de contactos entre potenciais investidores, segundo diz à Renascença o presidente da Câmara de Évora, Carlos Pinto de Sá.

Do parque ao “cluster”

Considerada “empresa âncora” na região, a Embraer é a terceira maior construtora mundial de aeronaves comerciais, a seguir à europeia Airbus e à norte-americana Boeing.

Está em Évora desde 2012, altura em que, num investimento de cerca de 148 milhões de euros, concretizou a aposta no mercado português com a construção de duas fábricas: a Embraer Metálicas, para produção de estruturas metálicas, e a Embraer Compósitos, especializada em materiais compósitos.

Em 2016, a construtora brasileira revelava um novo investimento global de quase 100 milhões de euros para ampliar e equipar as suas unidades para a produção de uma nova geração de aviões comerciais.

Nasce o Parque de Indústria Aeronáutica de Évora (PIAE) e começa a tomar forma um “cluster” aeronáutico.

“A Embraer, a nossa empresa âncora, depois de um investimento significativo inicial, tem neste momento em curso um investimento adicional de cerca de 100 milhões de euros na expansão das duas fábricas para assim poder dar reposta à produção de componentes de outros tipos de avião que está a construir”, refere à Renascença o autarca de Évora.

Dado o pontapé de saída, há agora mais “seis ou sete empresas que acrescentam um investimento de mais 70 milhões de euros, o que globalmente dá 170 milhões”, aponta Carlos Pinto de Sá.

Nesta carteira de investidores destaca-se “a Mecachrome, uma empresa de origem francesa que está a investir 30 milhões de euros e que vai criar, no imediato, cerca de 100 postos de trabalho, devendo iniciar a laboração no primeiro semestre deste ano”.

“Será uma empresa de grande relevância para este ‘cluster’ aeronáutico, onde constam investimentos de outras empresas, como a Aerolesa, a francesa Lauak e a Optimal”, acrescenta Pinto de Sá.

A procura de terreno por parte de investidores leva agora a Câmara de Évora a equacionar avançar com a expansão do PIAE, refere, “uma vez que está praticamente esgotado o terreno que tínhamos disponível para esta primeira fase do parque aeronáutico”.

Investigação e formação

Para o presidente do município alentejano, um “cluster” não pode ficar apenas pelas empresas e pelo tecido produtivo. “É importante termos a componente da investigação e a Embraer dá um importante contributo com a instalação do seu segundo centro de engenharia, em Évora, que faz investigação e desenvolvimento”, realça.

Na componente da formação, o autarca reconhece o importante papel do Instituto de Emprego e Formação Profissional e espera que a própria Universidade de Évora pondere a possibilidade de ampliar a sua oferta formativa.

“A instituição já tem, por exemplo, a área da Mecatrónica, mas há seguramente outras em que se pode apostar”, defende.

Pinto de Sá sublinha que este “cluster, para ser realidade, não pode ser apenas produção, mas sim um conjunto interligado que envolva produção, investigação, desenvolvimento e formação, ou seja, tudo o que possa articular-se com outros sectores da economia local, regional e nacional”.

Embraer Compósitos

Postos de trabalho para a região, mas nem todos da região

Actualmente, a Embraer dá emprego directo a cerca de 400 pessoas. Com os investimentos em curso, da construtora brasileira e das outras empresas, dentro de dois a três anos poder-se-á chegar perto dos mil postos de trabalho.

A região tem, porém, um problema de insuficiência de resposta nesta área. A mão-de-obra qualificada é uma necessidade e é preciso recrutar lá fora, o que para o autarca deve ser visto de forma positiva.

“Não é necessariamente mau, porque se vier gente nova para o Alentejo é uma forma de travarmos o despovoamento e atrairmos novas dinâmicas e mais gente para a região”.

Carlos Pinto de Sá revela que a região está a preparar-se para receber quem vier de novo.

“Por exemplo, com a Mecachrome fizemos alguns acordos relativamente à possibilidade de facilitar, nos primeiros anos, habitação para as famílias que se queiram instalar e que venham para a aeronáutica e estamos também a trabalhar para trazer pessoas que nos possam ajudar neste processo de qualificação de pessoal”.

Para se dar a conhecer, o PIAE promove-se no Aerospace Meetings Lisboa, nos dias 1 e 2 de Fevereiro.

Fonte: Sapo.pt

MATERIAIS COMPÓSITOS NA AVIAÇÃO

Os materiais que prometem reduzir o peso e o consumo das aeronaves modernas

O Proteus, aeronave de exploração para altas altitudes, foi desenvolvido pela Scale Composites, e faz amplo uso de materiais compósitos.

O Proteus, aeronave de exploração para altas altitudes, foi desenvolvido pela Scale Composites, e faz amplo uso de materiais compósitos.

Certamente um leitor que se interesse por aviação já terá ouvido falar de materiais compósitos (ou compostos) e de sua importância para uso aeroespacial. Derivados (em sua versão moderna) da corrida espacial, sua adoção é cada vez maior pela indústria aeronáutica, e os exemplos mais recentes são o Boeing 787 e o Airbus A380, cujos projetos estruturais incluem muitos componentes críticos feitos a partir de tais materiais.

Porém a velocidade com que a adoção dos compósitos se deu pela indústria não foi como se estimava nos anos 70. Pode-se dizer que esta ocorreu de forma bem mais rápida no campo da aviação experimental e militar que na aviação comercial e executiva. Em geral, é bem difundida a ideia de que os materiais compósitos são a última palavra em tecnologia de materiais para uso aeronáutico, principalmente por reunirem duas propriedades de suma importância para o setor: baixo peso e alta resistência.

No entanto, para que se possa tirar algum benefício de tais propriedades é necessário que estes materiais sejam bem compreendidos e usados em projetos que levam em conta suas especificidades, caso contrário eles podem ser dramaticamente piores que os materiais mais tradicionais. Não se trata simplesmente de substituir alumínio por fibra de carbono, por exemplo. Existem peculiaridades que diferenciam o uso desses materiais, e apesar das inúmeras vantagens que introduzem, os compósitos têm também os seus pontos fracos e seus limites.

Montagem da fuselagem do cargueiro X-55A. Com 18 m de comprimento e feita com compósitos de carbono/epoxy, reduziu-se em 10 vezes a quantidade de partes e em mais de 100 vezes a quantidade de fixadores. Imagem: CompositesWorld (www.compositesworld.com).

Montagem da fuselagem do cargueiro X-55A. Com 18 m de comprimento e feita com compósitos de carbono/epoxy, reduziu-se em 10 vezes a quantidade de partes e em mais de 100 vezes a quantidade de fixadores. Imagem: CompositesWorld (www.compositesworld.com).

A apresentação que segue está longe de ser completa ou exaustiva. Apesar de relativamente longa, nela fazemos apenas um apanhado geral do que são e como funcionam os materiais compósitos, o que poderá dar ao leitor uma ideia da complexidade do assunto. Não entramos nos detalhes quantitativos de suas propriedades (módulo elástico, resistência a tração, etc.), muito menos exploramos os métodos de cálculo que permitem o design apropriado de componentes e peças. Mas acreditamos poder criar um panorama geral que permitirá ao leitor compreender sua aplicabilidade e a razão de tal aplicabilidade na indústria aeroespacial. Esperamos que possa servir a essa finalidade.

A matéria é longa. O leitor pode usar o sumário acima, ou a paginação que aparece abaixo para facilitar a leitura e o tempo de carregamento.