Programa de logística reversa de compósitos entra em vigor no Paraná

Primeira fase do projeto contempla peças de ônibus, como tetos, grades e para-choques

Gilmar Lima, presidente da Associação Latino-Americana de Materiais Compósitos (ALMACO), e Antonio Bonetti, secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Paraná, assinaram no dia 25/08, em Curitiba (PR), o termo de compromisso que coloca em prática o programa de logística reversa pós-consumo de peças de compósitos.

Criado no final de 2014 pela ALMACO, o programa abrange a capital paranaense e mais 29 municípios e, de início, contempla apenas os componentes de ônibus, como tetos, grades e para-choques. A expectativa ao longo do primeiro ano é que seja feita a logística reversa de cinco toneladas de compósitos, cujo destino final será o coprocessamento em fornos de cimenteiras, alternativa reconhecida como ambientalmente amigável.

“Esse trabalho é fruto do esforço da ALMACO, de algumas empresas visionárias e de um órgão governamental que está disposto a fazer algo diferenciado e para o bem de todos. Por meio do diálogo, empenho e intercâmbio de conhecimento, conseguimos chegar a um objetivo comum”, afirma Lima.

A fiscalização começa a partir de agora, e a responsabilidade pelo pós-consumo passa a ser dos fabricantes das peças. “Caso eles não façam parte do programa, estarão sujeitos a multas pesadas, a exemplo do que acontece nos segmentos de pneus e filtros de óleo”, alerta Paulo Camatta, gerente executivo da ALMACO. Já foram registradas no Paraná autuações de mais de R$ 150 mil para as empresas que descumpriram o acordo de logística reversa. A ALMACO, informa Camatta, também está orientando os seus associados a adquirir matérias-primas apenas dos fabricantes cadastrados no programa.

Os aspectos práticos do projeto ficam a cargo da Geoquímica, empresa responsável por recolher as peças pós-consumo de compósitos em oficinas de ônibus e garantir a destinação correta. Localizada em São José dos Pinhais (PR), a Geoquímica já trabalha com a logística reversa de embalagens de lubrificantes e filtros automotivos.

O plano elaborado pela ALMACO conta com o apoio da consultoria Masimon e de doze empresas da cadeia produtiva de compósitos: Ashland, CPIC, Jushi, Marcopolo, Mascarello, Morquímica, MVC, Neobus, Owens Corning, Reichhold, Royal Polímeros e Tecnofibras. Também colaboram com o projeto a Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus (FABUS) e o Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (SIMEFRE).

“Os trabalhos relacionados à logística reversa baseiam-se em comitês tripartites. Além de uma associação de classe, como a ALMACO, é necessária a participação de órgãos governamentais. No nosso caso, a Secretaria do Meio Ambiente do Paraná (SEMA) e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP)”, detalha Camatta.

Programa Nacional de Reciclagem

Em 2012, a ALMACO, em conjunto com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), concluiu o Programa Nacional de Reciclagem. Com um investimento de R$ 2 milhões e a participação de um consórcio formado por 23 empresas, o programa apontou soluções para a reutilização de resíduos de compósitos no próprio processo produtivo.

Resultantes da combinação entre polímeros e reforços – por exemplo, fibras de vidro –, os compósitos são conhecidos pelos elevados índices de resistência mecânica e química. Há mais de 50 mil aplicações catalogadas em todo o mundo, de caixas d’água, tubos e pás eólicas a peças de barcos, trens e aviões.

Fundada em 1981, a ALMACO tem como missão representar, promover e fortalecer o desenvolvimento sustentável do mercado de compósitos. Com administração central no Brasil e sedes regionais no Chile, Argentina e Colômbia, a ALMACO tem cerca de 400 associados (empresas, entidades e estudantes) e mantém, em conjunto com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), o Centro de Tecnologia em Compósitos (CETECOM), o maior do gênero na América Latina.

Para mais informações, acesse www.almaco.org.br

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