O tempo das pranchas – Só Epoxi

Edinho Leite explica os acabamentos de pranchas do EPS/Epóxi e sua durabilidade.

“Há tempos, o PU, mais conhecido como espuma de poliuretano, perdeu o monopólio dentro das fábricas de pranchas. A era do SUP contribuiu para o reaprendizado da turma da laminação (glass) com resina epóxi, já que o EPS, ou ‘isopor’, não aceita a resina convencional, poliéster”. Comecei assim um texto para o Waves, em junho de 2015.

Antes mesmo de escrever o texto, já havia encomendado uma prancha com bloco Lite Surf, EPS da Teccel, e resina epóxi. Na época, conversando com quem entende, chegamos à conclusão de que a maior parte dos problemas que surgem com pranchas laminadas com resina epóxi era justamente o fato de muita gente terminar a laminação com resina poliéster.

Sim, quando você vê uma prancha nova de EPS / Epóxi com acabamento lindo, acredite, provavelmente ela foi terminada com resina poliéster. Isso se deve ao fato de que, por ter propriedades mecânicas diferentes, a resina epóxi dá um trabalho dos infernos para polir. Especialmente quando a umidade do ar está alta, ela também demora muito mais a secar, caso a fábrica não tenha uma estufa apropriada. Daí, a opção de laminar o EPS com epóxi e depois acabar o trabalho, nos banhos finais, com poliéster, parece uma boa saída, indicada por especialistas, inclusive. Dizem que a resina de poliéster acaba vedando melhor e criando uma camada de proteção.

A experiência mostrou o contrário. A resina de poliéster ataca a de epóxi, além do fato de que as duas apresentam elasticidades diferentes, causando trincados (micro) e outros problemas como delaminação, nos casos mais graves. Portanto, a prancha encomendada há dois anos e quatro meses era só com epóxi. O pessoal da fábrica de laminação Olas ficou preocupado com o fato daquela Shine Surfboards ficar com um aspecto opaco, sem polimento algum. Mas saiu como encomendada. EPS, massa fina, depois glass de Epoxi, assim como no acabamento.

Fim das contas – O resultado é que a prancha 5’8″ X 19″ X 2 1/4 > 26,5 litros ficou com 2.5kg. Tinha ótima flexibilidade e performance. Como São Tomé, hoje posso dizer que, depois de muito usada, continua igualzinha e, mesmo com quilhas, parafina e deck, está pesando 2.7kg. Até alguns meses atrás, quase não amassou o deck na altura do peito. Agora cedeu um pouco, mas pode ter sido pela resistência da longarina, muito mais rígida do que o glass, flexível. O interessante é que quase não há marcas de pisada na rabeta. Ou seja, ficou bem resistente e com ótima durabilidade. Por experiência própria, já sabia que o aspecto opaco mudaria com o tempo, e a prancha ficou polida naturalmente. Claro, não é um espelho, mas quem disse que pranchas espelhadas andam mais?

Encomendei outra, só que desta vez sem longarina e sem massa, o que fará com que o bloco de EPS absorva um pouco mais de resina. Trocando a falta de longarina pela resina a mais, acredito que a prancha deva ficar mais flexível, mais resistente e com o mesmo peso. Daqui a dois anos, digo o que aconteceu com ela. Se bem que devo levá-la para a The Board Trader Show, em setembro, assim, quem for, pode pegar na mão.

Fonte: Waves

2 respostas
  1. carlos
    carlos says:

    Edinho Leite, seu conhecimento sobr o surf sempre ajuda a analisar o que está ocorrendo em nosso esporte.Acho muito legal a abordagem,poi, clareia mais sobre as tecnologias.Continue!

    Responder

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