‘Meu jeitinho’: Acadêmicos de Santa Cruz usa resina e fibra de vidro para economizar no carnaval

Escola tem enredo sobre literatura infantil. Esculturas estão sendo remodeladas e tecidos mais baratos dão efeitos de cetim, mais caro.

Para fazer um carnaval bonito e barato, a Acadêmicos de Santa Cruz vai usar muitas esculturas em resina e fibra de vidro para restaurar e reformular peças de outros carnavais. Esse o segredo que a escola revela na série “Meu jeitinho”, do Bom Dia Rio.

No barracão, o laminador de fibra de vidro Carlos Fernando dos Santos explica que se tivesse de refazer as esculturas, por exemplo, gastaria mais tempo e dinheiro. O trabalho teria de ser feito primeiro em isopor para depois ganhar uma fôrma para ser reproduzido.

“Podia não dar tempo. Imagina uma escultura sem mão. Não dá”, diz Santos, enquanto restaura uma peça. O índio de outros carnavais vai se transformar num arlequim na avenida.

A Santa Cruz recorreu à Priscila Dias, professora de um curso de pós-graduação de figurino e carnaval, para decorar esculturas de forma que o trabalho saia barato e fique bonito. Ela busca tecidos baratos no mercado, mas que causem o mesmo efeito visual que tecidos mais caros, como o cetim.

“Não adianta a gente procurar um tecido barato que não vai dar o efeito que a gente precisa ter na avenida, né? Então, a gente recorre a um tecido barato, mas que dê aquele efeito, que dê o ‘tchan’ no carnaval, na Sapucaí”, explica Priscila.

O carnavalesco Lane Santana, explica o motivo de trabalhar com mais dois carnavalescos, Munir Nicolau e Wladimir Morellembaum, na Santa Cruz.

“Porque um é pouco, dois é bom e três é melhor ainda. O carnaval hoje se tornou muito grande e todas as escolas, mesmo aquelas que só têm um carnavalesco, ele tem uma equipe grande com quem ele divide o trabalho. O que a Santa Cruz fez, como outras escolas já fazem, é dar nome a essas pessoas que dividem o trabalho. Então, aqui tudo é pensado, é discutido e é idealizado por nós três, que somos os três mentores, responsáveis pela criação e confecção deste trabalho”, explica Lane.

 Munir diz que há discussões, mas sempre se chega a um acordo. “Com certeza, a gente discute, briga, mas acaba chegando a um consenso e um denominador comum. Cada um tem uma área, a gente procura ficar bem à vontade. Cada um fazendo o seu papel aqui, atuando na sua área”.

E Wladimir complementa: “Acho que na verdade a maior preocupação da gente era colocar a Acadêmicos de Santa Cruz como o foco principal. Então, independente da minha opinião, da opinião de um dos companheiros, o mais importante é a finalização para o projeto, para que a gente possa atender a essa comunidade. Então, são três artistas, como o Munir falou cada um tem um segmento, para que a gente não fique gastando energia com todos os três fazendo a mesma coisa”,

O enredo da Santa Cruz esse ano vai contar a história da literatura infantil. Segundo Wladimir, surge num momento importantíssimo para a escola, para o Brasil, já que a literatura infantil, levada pela escola, pode passar uma mensagem de otimismo, de beleza. A Acadêmicos de Santa Cruz inicia com uma África grandiosa. Passa pela Idade Média e chega nos quatro continentes onde explode esta literatura de todas as formas e influenciando o teatro, o cinema e a televisão.

“E a gente chega no Brasil prestando uma grande homenagem a Monteiro Lobato. E a gente pede ao Monteiro Lobato que ele ilumine a Santa Cruz, ilumine nosso carnaval e que essa escola e essa comunidade seja muito feliz no carnaval de 2017″, disse Wladimir.

Fonte: G1

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