Casa-barco feito de materiais compósitos navega na Ria de Aveiro

O conceito não é completamente novo, mas esta casa flutuante tem a particularidade de ser movida a energia solar.

É uma casa portuguesa, com certeza. Flutuante, móvel e amiga do ambiente, está a despertar curiosidade por onde passa, na Ria de Aveiro.

A Waterlily Boats, uma empresa de Vagos, desenvolveu e está a construir os primeiros modelos da sua casa barco inovadora.

“O conceito não é completamente novo, mas apostamos de forma diferente: numa embarcação modular, com diversos tamanhos, possível de personalizar, 100 por cento em material compósito, sem metal a não ser aço inox. Mais leve, robusta e, o que não é comum, navegável”, explica Ricardo Neta, responsável da empresa.

A casa flutuante, que passou nos “testes de mar” feitos em condições adversas, tem ainda a particularidade de ser movida a energia solar, com dois motores eléctricos.

O modelo que está a ser servir de cartão de visita tem sala, cozinha, casa de banho/duche e quarto “com uma cama de casal das maiores, com muita arrumação e condições a pensar no conforto”.

As janelas permitem 180 graus de vista para a água e tem solário.

A partir de 50 mil euros

A Waterlily já navega regularmente pela Ria de Aveiro e as primeiras encomendas estão a ser construídas para empresas turísticas que operam no Rio Douro e na Ria Formosa.

Esperam-se também contactos de particulares a quem é oferecida a possibilidade de alugarem a terceiros por alguns períodos do ano, permitindo ajudar a amortizar os investimentos.

“Desde que tenha 50 centímetros de água, podemos ir para todo o lado. Os 20 cavalos permitem 10 horas de autonomia, falamos de 40 quilómetros de alcance”, adiantou Ricardo Neta, jovem engenheiro mecânico que é especialista no desenvolvimento de plataformas em materiais compósitos.

Quem tiver uma casa flutuante deste tipo pode navegar sem problemas de uma marina para outro ponto, passar a noite num porto de abrigo a carregar e prosseguir a viagem para uma nova etapa do percurso que deseje fazer, rio acima ou rio abaixo.

Os painéis solares garantem independência energética e poluição zero, incluindo capacidade de tratamento de águas residuais. “Fazer 20 quilómetros é perfeitamente aceitável, além disso tem piloto automático”, acrescentou o promotor.

No primeiro teste a sério, a Waterlily navegou pela Ria de Aveiro enfrentando 60 quilómetros de ventos e corrente contra de 3,4 nós. É certo que demorou três horas a fazer um percurso de uma hora, “mas chegou perfeitamente e com muita bateria.”

O início da produção em escala está a gerar entusiasmo. “A afluência de clientes é interessante, pessoas que procuram um novo tipo de turismo, com boas expetativas de rentabilizar o custo. Em dois anos pagam uma embarcação de 70 mil euros”, conta Ricardo Neta.

Os modelos base com motorização eléctrica vendem-se a partir de 50 mil euros. Existem outros para embarcações até 17 metros, que ficam por 200 mil euros. O preço final varia sempre de acordo com os acabamentos e extras.

A aposta da Waterlily Boats é também dirigida para a internacionalização, sobretudo a Holanda, onde o barco conseguiu o seu primeiro registo fora de portas, e a Alemanha, “que tem mercado dentro de rios.”

A empresa está a despertar interesse pelos “preços bons, qualidade muito boa e uma nova maneira de abordagem destas construções em plataformas muito estáveis e facilmente manobráveis”, refere o responsável.

Fonte: Renascença

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